O Jabuti e a Viola
Uma mulher plantou na floresta uma árvore nova que cresceu e carregou de frutas apetitosas e perfumadas. A árvore foi enfeitiçada para que as frutas só amadurecessem quando se dizia o seu nome inteiro, difícil e comprido. Todos queriam comer e iam à casa da mulher perguntar o nome. O feitiço obrigava a que ela dissesse o nome certo, mas depois a mulher ficava dizendo coisas parecidas para atrapalhar. O caminho até a árvore era comprido e os bichos acabavam trocando o nome, e não podiam comer.
O Jabuti resolveu também ir perguntar o nome e levou uma viola. A mulher respondeu:
--- O nome é Mussá, Mussá, Mussabambira, Mussauê.
O Jabuti pegou na viola e fez uma música com o nome da fruta e foi cantando. A mulher:
--- Nada de confusões, viu? O nome não é Puçá, Puçá, Puçagambira, Puçuarinha.
O Jabuti só cantou de volta a musiquinha:
--- Mussá, Mussá, Mussabambira, Mussauê.
--- Ei seu Jabuti, não faça misturas, que o nome não é Içá, Içá, pega na embira, solta a farinha.
O Jabuti só cantou de novo:
--- Mussá, Mussá, Mussabambira, Mussauê.
--- Isso mesmo, o nome não é Assá, Assá, o Currupira viu voce.
O Jabuti sempre cantando
--- Mussá, Mussá, Mussabambira, Mussauê.
A mulher ficou brava e deu uma paulada no casco do jabuti, que ficou todo quebrado.
Ele pulou fora e foi andando, mesmo quebrado, cantando pelo caminho com a viola
--- Mussá, Mussá, Mussabambira, Mussauê.
Chegou em baixo da árvore, puxou da viola e cantou de novo:
--- Mussá, Mussá, Mussabambira, Mussauê.
Uma fruta amadureceu e caiu, todos correram para provar. O Jabuti continuou cantando e mais e mais frutas caíram e todos comeram até saciar.
A casca da fruta tinha um visgo grudento, que os bichos usaram para colar o casco do jabuti em agradecimento pela fruta. Por isso ele tem até hoje o casco remendado.