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JN Editorial - out50211

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Receita para afundar a escola
Afundar uma escola de Engenharia parece ser coisa relativamente fácil. Num tom profundamente irónico, Isabel Labouriau, do Centro de Matemática Aplicada da Universidade do Porto, entregou, ontem, a "receita", aos participantes no encontro "Que Matemática numa Escola de Engenharia?".
Para obter a proeza, são necessários os ingredientes seguintes: professores de Matemática que saibam de Matemática aquilo que vão ensinar ou pouco mais; turmas muito grandes; programas vagos ou inexistentes; ensinar apenas como se faz e não porque funciona; professores de Matemática cujo interesse principal não é Matemática; disciplinas sem pré-requisitos; professores que tenham estudado, todos, no mesmo lugar; taxas de reprovação altas sem alteração nas disciplinas; ter como critério de contratação dos docentes "foi meu aluno ou colega", e fazer da pós-graduação ou licença para investigação o mais difícil que se possa.
Não fossem os participantes pensar que Isabel Labouriau pretendia perverter, ainda mais, o sistema, deixou uma outra receita, esta para "manter o barco à superfície".
Os ingredientes do sucesso são: decidir o tipo de profissional a formar; programas objectivos, preparados por equipa interdisciplinar; estimular professores que não sabem muita Matemática a dar aulas da sua especialidade, usando muita Matemática; investir na formação docente; contratar professores de Matemática que saibam mais do que vão ensinar e que dêem garantia de actualização, mesmo que pensem que ela serve de pouco.
"O que não serve mesmo para nada é a ignorância", concluiu.
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