Vânia Oliveira e Inês Cruz
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Índice |
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Definição do problema
O problema dos três corpos (com força de atracção Newtoniana)
é o estudo do movimento de três corpos de massas arbitrárias, Este problema surge naturalmente no estudo do movimento dos planetas. Por exemplo o sistema Sol-Terra-Lua pode considerar-se como um caso particular do problema dos três corpos se desprezarmos o efeitos dos outros planetas neste sistema. Também o sistema Terra-Lua-satélite constitui um caso particular deste problema desprezando o efeito exercido pelo Sol e pelos outros planetas no sistema. Este último problema é, no entanto, tratado de forma mais conveniente se considerarmos que o satélite tem massa nula quando comparada com as massas da Terra e da Lua, enquadrando-se melhor no chamado problema restrito dos três corpos. É costume distinguir o problema geral dos três corpos (em que os corpos se movem no espaço tridimensional) do problema planar dos três corpos (os corpos movem-se num mesmo plano ao longo do tempo).
O problema pode definir-se para um número |
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Soluções clássicas
O que significa exactamente resolver o problema dos
Neste sentido clássico o problema só está resolvido no caso
No caso Muito recentemente MONTGOMERY (2000) obteve uma nova solução no caso dos três corpos terem massas iguais (figura oito) usando métodos variacionais. Importa notar que todas estas soluções são soluções do problema planar dos três corpos. |
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Soluções geométricasEm alguns casos é possível obter o desenho das órbitas dos três corpos, ou melhor, o desenho do seu percurso ao longo do tempo, sem obter uma solução no sentido clássico. A este desenho chamaremos solução geométrica do problema dos três corpos. Uma solução geométrica está para a respectiva solução clássica como a imagem de uma curva está para a expressão da curva. Em particular a solução geométrica ``ignora'' a velocidade com que a solução clássica é percorrida e o modo como é percorrida. Por exemplo, nas soluções colineares (de EULER) os três corpos mantêm-se sempre colineares, e as soluções geométricas são constituídas por três cónicas semelhantes ou por três semirectas. Nas soluções equiláteras (de LAGRANGE) os três corpos encontram-se sempre nos vértices de um triângulo equilátero e as soluções geométricas são novamente constituídas por três cónicas semelhantes ou por três semirectas. Na realidade as soluções geométricas de Euler e de Lagrange não ``ignoram'' totalmente o modo como a curva é percorrida. Elas ``sabem'' que os corpos nunca invertem o sentido do movimento em torno de um dos focos da cónica e que as suas velocidades angulares são maiores quando os corpos estão mais perto desse foco (consequências da Segunda Lei de KEPLER - ver apêndice A). |
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Formulação matemática do problema dos três corpos
Para formularmos as equações diferenciais que regulam o movimento
dos três corpos comecemos por introduzir algumas notações.
Designemos por
onde
Assumiremos que os corpos nunca chocam, ou seja, que em qualquer instante
A segunda lei de Newton afirma que as equações diferenciais satisfeitas
pelos vectores
onde
designa a segunda derivada de em ordem a .
São estas nove equações diferenciais que regulam o movimento dos três
corpos.
Se pretendermos estudar o problema planar dos três corpos então cada
um dos vectores
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O centro de massa do sistema
O centro de massa do sistema dos três corpos é o ponto
Obviamente o centro de massa do sistema não depende da escolha do
ponto
Podemos então assumir que o centro de massa do sistema dos três corpos
está ``parado'' e tomá-lo para origem
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Mudança de variávelConsideremos as novas variáveis:
Por outras palavras Facilmente se conclui que:
e que os vectores
onde
onde
As equações (5) formam um conjunto de nove equações diferenciais de segunda ordem.
No tratamento do problema planar dos três corpos teremos apenas seis
equações diferenciais já que que cada |
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Soluções de EulerA ideia de EULER foi procurar soluções das equações diferenciais (1) para as quais os corpos se mantivessem sempre colineares.
Em termos dos vectores
onde Derivando a segunda equação de (7) duas vezes, substituindo na segunda equação de (5) e comparando com a primeira daquelas equações conclui-se que deverá ter lugar a seguinte igualdade:
é uma função de envolvendo a função e as constantes e .
A igualdade (8) por sua vez implica uma de duas igualdades:
Assumamos de momento que a primeira destas igualdades não se
verifica. Em tal caso deverá verificar-se a segunda igualdade pelo que
o vector
onde é uma função real positiva. Sendo assim teremos:
Substituindo em (4) para recuperar os vectores de posição
Passemos então às soluções colineares das equações (5) para as quais é agora um número real positivo. Derivando (10) duas vezes, substituindo em (5)
e igualando, conclui-se que deverá ser raíz positiva do
polinómio de quinto grau:
Sendo
Notemos que a referida raíz positiva existe e é única quaisquer
que sejam os números positivos
Nota: Verifica-se facilmente que
Tendo concluído que
Esta equação diferencial descreve o movimento de um corpo de massa
1 no problema de KEPLER (ver apêndice A).
As soluções geométricas deste problema são bem conhecidas e classificam-se,
em função da energia total
A semirecta tem origem em |
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Animação das soluções de EULER
Concluiu-se que, dados três corpos de massas arbitrárias
satisfazem as equações (5). Usando (4) para recuperar os vectores
As três animações que apresentamos a seguir foram obtidas com:
(o que produz
) e usando para , respectivamente, solução circular,
solução elíptica não circular e solução parabólica de (12).
Cada um dos três corpos descreve uma cónica sendo o centro
de massa do sistema o foco comum às três cónicas.
A título de curiosidade incluimos também a animação obtida quando
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Soluções de LAGRANGE
Procuremos agora soluções de (5) que verificam
As soluções (que verificaremos existirem!) satisfazendo a segunda destas condições, serão chamadas de soluções equiláteras e foram descobertas por LAGRANGE.
Tal condição indica precisamente que, em cada instante, os três
corpos se situam sobre os vértices de um triângulo equilátero. Tal
triângulo, no entanto, varia com Na realidade é surpreendentemente fácil mostrar que existem soluções equiláteras. Pela própria condição de equilateralidade as equações (5) reduzem-se a três problemas de KEPLER ``iguais'':
Estes três problemas de KEPLER, aparentemente independentes,
são na realidade dependentes por via da condição de equilateralidade.
De facto, conhecido
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Animação das soluções de LAGRANGE
Concluiu-se então que, dados três corpos de massas arbitrárias
Para cada uma destas soluções de (5) recuperamos os vectores
Seguem-se duas animações destas soluções no caso da razão das massas
ser
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CoreografiasChama-se coreografia do problema dos três corpos a uma solução do problema dos três corpos tal que os três corpos se movimentam sobre uma mesma curva plana (curva base), sem choques.
A título de exemplo, e usando as soluções de LAGRANGE, consideremos
a animação obtida com
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A solução de MONTGOMERY, cuja existência foi estabelecida
por métodos variacionais, é também uma coreografia e foi obtida
também para o caso de massas iguais:
. A curva
base desta coreografia é a chamada figura oito, cujo gráfico
é análogo ao símbolo . Animações desta coreografia podem
ser visualisadas por exemplo em:
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O Problema de KEPLER
Neste apêndice pretendemos estudar as soluções geométricas do problema
de KEPLER. Este problema pode ser descrito como o estudo
do movimento de um corpo de massa Por exemplo este é o problema associado ao movimento de um planeta em torno do Sol se desprezarmos o efeito dos outros planetas sobre ele. É também o caso do movimento de um satélite em órbita em torno da Terra se desprezarmos o efeito da Lua sobre ele.
Escolhendo para origem do sistema de coordenadas,
onde |
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Leis de conservação
Na realidade prova-se facilmente que o movimento do corpo tem sempre
lugar num plano que contém
Ao vector
chama-se vector momento cinético do sistema. Esta lei de conservação tem duas consequências importantes:
Nota: A quantidade A segunda consequência é geralmente conhecida como Segunda Lei de KEPLER e garante que:
A segunda lei de conservação, a Lei de Conservação da Energia,
permite, em conjunto com a Segunda Lei de KEPLER,
obter uma relação entre as coordenadas
À função chama-se energia total do sistema.
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Soluções geométricas do problema de KeplerCombinando a Lei de Conservação da Energia com a Segunda Lei de KEPLER obtem-se facilmente a seguinte relação:
Integrando em ordem a
onde
Recordemos que, se
Se
que é precisamente a equação focal de uma cónica de parâmetro
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Bibliografia
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Footnotes
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